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7 ações para uma TI mais eficiente

7 ações para uma TI mais eficiente

Por Clovis Hitos Gonçalves, Especialista Inmetrics

A velocidade alucinante das mudanças nos mundos dos negócios com a digitalização das empresas tem tido forte impacto na área de tecnologia da Informação. Não é mais permitido que essa área tenha ineficiências e o isolamento inerente à sua natureza técnica.

Nesse texto, vou abordar ações que, independentemente da tecnologia aplicada, podem efetivamente tornar a TI melhor. Resolvi não abordar tecnologias em ascensão ou disruptivas, pois existem milhares de estudos disponíveis sobre tecnologias que podem ser usadas para melhorar a eficiência tecnológica. Essas estão brotando por aí a cada novo segundo. Melhorar a eficiência normalmente demanda muito mais atenção ao modo de trabalhar e no comportamento dos indivíduos, do que na adoção de novas tecnologias avançadíssimas e inovadoras.

Continuando o raciocínio, o mundo passa por uma intensa transformação digital, o que leva a tecnologia a um papel central nos negócios e na vida das pessoas. Para que a área de tecnologia possa acompanhar essa necessidade quase exponencial de melhor eficiência e protagonismo nos negócios digitais, cito sete ações para uma TI mais eficiente:

1. A cultura interna da TI deve ser o quanto antes centrada em ouvir os seus clientes. Quando citamos os clientes, esse termo compreende os clientes internos e principalmente os externos. Cada vez mais os clientes que compram os produtos ou serviços das organizações ficam mais exigentes e querem ser ouvidos para que as suas experiências na relação com as empresas sejam perfeitas. Lembre-se, a tecnologia faz parte da vida deles e cada vez mais fará. A habilidade em Experience Design & Management é cada vez mais importante para a área de TI. Capturar o valor para o cliente é um desafio e tanto, mas é o diferencial poderoso.

2. Uma segunda ação que não deve ser negligenciada é a capacitação das pessoas da área de TI em métodos de solução de problemas. Essa é uma habilidade fundamental para que a cultura da TI seja aprimorada no decorrer do tempo. Use o velho e bom PDCA com ferramentas apropriadas, como o tão simples e eficiente 5 Porquês ou diagrama de causa e efeito. As pessoas cada vez mais devem ser capazes de resolver problemas de forma autônoma dentro de suas responsabilidades e ter metas claras de onde devem chegar. Sem metas, qualquer coisa que fizerem está bom, não é mesmo? Desafiar as pessoas é respeitá-las, lembre-se disso.

3. Na primeira ação, disse que ouvir os clientes é importante. Tão importante quanto isso é essa terceira ação: falar a língua do seu cliente. Acabou o tempo em que jargões técnicos e sopas de letrinhas eram sinais de status da área de TI. Os profissionais de tecnologia cada vez mais devem entender a linguagem de negócios para que consigam acompanhar e aplicar as transformações que a tecnologia tem protagonizado na vida das pessoas e nos negócios.]

4. Atenção à sua gestão de demandas e gestão da entrega. Com consumidores mais exigentes, a priorização e a entrega com velocidade e qualidade são essenciais para uma boa percepção de eficiência. A adoção de práticas de desenvolvimento incremental e contínua (Métodos ágeis, Lean IT  e Devops) pode levar à eliminação continuada de desperdícios, simplificação e principalmente a adoção de uma cultura de entrega de valor. Isso é de extrema relevância para a área de TI que quer se tornar e se manter eficiente.

5. Atualmente temos acesso a dados de forma nunca antes imaginada. Utilizar técnicas de business analytics é uma forma de potencializar os benefícios que essa grande massa de dados disponível pode nos dar. Transformar os dados em informação, informação em conhecimento e conhecimento em sabedoria é uma oportunidade sem precedentes para que a TI seja mais eficiente gerando o máximo valor ao negócio. É importante que as pessoas da TI entendam de métodos estatísticos, linguagens matriciais e assuntos mais avançados, como machine learning, big data e até inteligência artificial. A qualidade da exibição dos dados não deve ser esquecida. Apesar de a alma do business analytics ser a organização e compreensão dos dados, a exibição de forma clara e simples é essencial para quem os consome. Os dados devem compor a história de forma clara e objetiva. É uma arte.

6. Outra ação importante é a adoção de práticas de inovação no dia a dia. Inovação é tudo o que pode trazer um aprimoramento de estado ou dinheiro novo. Precisamos nos acostumar a enxergar a inovação como algo menos utópico, trazendo essa prática para a rotina das pessoas. Isso não é perda de tempo, pelo contrário, a pessoas incentivadas a trazer ideias contribuem para a melhoria de eficiência da organização como um todo. Existem várias práticas simples, como o tradicional brainstorming, outras de média complexidade, como o Design Thinking e Lean Startup. Podemos usar também outras um pouco mais elaboradas, como a Inovação Sistemática. Todas elas acessíveis a nós, mortais.

7. Enfim, como sétima ação, convém adotar uma postura de aprendiz, o que os japoneses chamam de mente de principiante. Quero dizer com isso que temos que estar abertos a aprender sempre, a desenvolver os nossos conhecimentos e principalmente a aplicá-los. Os nossos preconceitos devem ser deixados de lado nesse mindset. A postura de aprendiz nos leva a experimentar. Falhar faz parte dessa postura, o que leva ao aprimoramento contínuo e deve ser visto como oportunidade (mas atenção, ninguém é maluco a ponto de permitir erros catastróficos!). Isso com certeza trará grandes benefícios para o crescimento das pessoas, afinal, só aprendemos a andar de bicicleta após várias quedas e joelhos ralados, de olho na proteção para não arrumar um traumatismo craniano.

Todas essas dicas, apesar de não ter citado nenhuma tecnologia específica com maior profundidade, aumentam significativamente a eficiência da TI de forma geral, incluindo no uso mais efetivo das ferramentas e inovações tecnológicas que, como disse no início, aparecem a cada instante em um mercado tão veloz, exigente e inovador. Temos que nos preparar!

 

Sempre ouvimos sobre essas ações, mas implantar é complexo. Por isso deixo um bônus – Literatura de apoio indicada. Vamos começar pela ação 7, adotar uma postura de aprendiz e depois praticar! Boa leitura!

Ações 1 e 3

– Value Propositon Design – BERNARDA, Greg; OSTERWALDER, Alex. Value Proposition Design: Como construir propostas de valor inovadoras. HSM Editora, 2014

Ação 2

– O Verdadeiro Poder – CAMPOS, Vicente Falconi. O verdadeiro poder. Nova Lima: INDG Tecnologia Serviços Ltda, 2009.
– Gerenciamento da Rotina do dia a dia – CAMPOS, Vicente Falconi. Gerenciamento da rotina do trabalho do diadia.9.ed.Nova Lima: INDG Tecnologia e Serviços Ltda, 2004.
– Gerenciando para o Aprendizado – SHOOK, John. Gerenciando para o Aprendizado. São Paulo: Lean Institute Brasil, 2008

Ação 4

– TI Lean – Bell, S. C.; Orzen, M. A. (2013). TI LEAN, Capacitando e Sustentando sua Transformação Lean. São Paulo: Lean Institute Brasil.
– SCRUM A arte de fazer o dobro do trabalho na metade do tempo – SUTHERLAND, J. A arte de fazer o dobro do trabalho na metade do tempo. Texto Editores Ltda., 2014.

Ação 5

– Data Science para Negócios – FOSTER, P. FAWCETT, T. Data Science para Negócios. Alta Books, Rio de Janeiro, 2016.

Ação 6

– Design Thinking: Uma Metodologia Poderosa para Decretar o Fim das Velhas Ideias – BROWN, Tim. Design Thinking: uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.
– A Startup Enxuta – RIES, E. A Startup Enxuta: Como os Empreendedores Atuais Utilizam a Inovação Contínua para Criar Empresas Extremamente Bem-Sucedidas. 1. ed. São Paulo: Lua de Papel, 2012

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