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Fabricantes de celulares aumentam investimento em segurança

SEUL – O combate aos ataques cibernéticos entrou o radar dos principais fabricantes de smartphones . Isso porque os celulares representam hoje o principal alvo dos hackers . De janeiro a junho deste ano, de acordo com dados inéditos da Fortinet , empresa americana especializada em cibersegurança, os aparelhos responderam por 80% das tentativas de roubos de dados em todo o mundo, superando computadores pessoais, notebooks e tablets. Há cinco anos, esse número era de apenas 20%. E a tendência é continuar aumentando, dizem especialistas.

No Brasil, que segue a média mundial, o roubo de dados por meio do celular cresceu 10% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Os ataques cibernéticos têm ocupado o noticiário devido ao caso envolvendo o ministro da Justiça, Sergio Moro, em que hackers teriam tido acesso a mensagens trocadas por ele em aplicativos.

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Links maliciosos enviados por mensagens de texto, e-mails com anexos suspeitos e aplicativos com softwares espiões são apenas algumas das táticas usadas pelos criminosos para roubar dados dos usuários. São esses tipos de golpes que têm feito empresas investirem em sistemas de segurança.

— Estamos constantemente sob ataque. É um link, ou aplicativo, enviado ao celular. Por isso, usamos algoritmos que ajudam a detectar as ameaças. Segurança é hoje um pilar no negócio. Por isso, antes de clicar em um link recebido no e-mail, veja quem é o remetente e evite fazer downloads em sites não confiáveis  — explica Nick Dawson, diretor global de Negócios Corporativos da área móvel da Samsung .

Segundo ele, os investimentos vão além da autenticação de dois fatores (dupla checagem) e reconhecimento biométrico, por meio da íris e da digital. Ele lembra do investtimento feito em uma pataforma própria, chamada de Knox.

— A plataforma de segurança já é instalada no processo de produção do aparelho, na fábrica. Isso tudo foi ganhando força porque a Samsung usa o Android, do Google, e há alguns anos as empresas não consideravam o sistema seguro. Por isso o investimento.

Alexandre Bonatti, diretor de engenharia de sistemas da Fortinet, lembra que os ataques são voltados ao smartphone porque este reúne informações sensíveis como voz, vídeo, dados bancários, senhas e localização.

— O mais crítico é que as pessoas têm o hábito de proteger o computador e o notebook, mas não se preocupam com o celular. E baixam aplicativos sem conhecer, que muitas vezes podem conter softwares invisíveis especializados em roubar dados — explicou Bonatti.

Segundo Danilo Barsotti, diretor de Cibersegurança e Computação na Nuvem da Inmetrics , o investimento das fabricantes de smartphones lembra o que ocorreu com os sistemas operacionais para computadores, há alguns anos. A dona do iPhone, por exemplo, vem, a cada atualização de seus sistema operacional, o iOs, reforçando as barreiras de proteção. Segundo ele, hoje apenas 20% dos usuários mantém o sistema operacional atualizado.

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— Um ataque bem-sucedido pode manchar a imagem do fabricante do celular. Google, Apple e Samsung também estão preocupadas com as suas marcas. E quanto mais essas empresas investirem em pesquisa e desenvolvimento focados em segurança, mais difícil será para um criminoso obter êxito em um ataque — afirma Barsotti.

Matéria: O Globo