Insights

Notícias, novidades e informações sobre o mundo Hard Tech

O novo perfil do QA

por: Inmetrics em

| 21.09.2018

POR Everson Alcantara

Com uma crescente demanda em Qualidade de Software, o Analista de Testes passou a ser reconhecido como peça fundamental no ciclo de desenvolvimento de software. Em meio à essas mudanças, é importante saber como esse profissional deve se preparar para atender às necessidades do mercado.

Para saber para onde vamos, é importante lembrar de onde viemos

Quando se falava de ciclo de vida de desenvolvimento de software vimos modelos como Cascata, Modelo em V, Incremental, Evolutivo, RAD, Prototipagem, Espiral, RUP e diversos outros surgirem a minguarem. Uma característica comum entre esses modelos é a grande quantidade de documentação como: casos de uso, diagramas de classe, sequência, atividade, processos e blá-blá-blá, tudo muito voltado para o desenvolvedor e a forma de de desenvolvimento.

Dentro desse contexto, quase sempre a Qualidade não era levada como prioridade, normalmente a fase de testes era curta (quando existia) e acontecia ao final do ciclo de desenvolvimento, próximo às entregas do produto. Isso é um forte indicador de que os testes geralmente não eram realizados com eficiência necessária.

Os testes eram realizados apenas de forma manual, a equipe de qualidade era apartada das outras equipes envolvidas no projeto e possuía pouquíssimo conhecimento do negócio e baixo investimento em pessoas e tempo para arquitetura e execução dos testes.

Nesse cenário, surgiu o perfil de profissional voltado para a Qualidade de Software, conhecido como Analista de Qualidade, e outros diversos nomes que existiam de acordo com a função.

O profissional de QA deveria possuir um perfil que pudesse efetuar boa comunicação, aplicar conceitos, processos, definir, priorizar, analisar, executar testes manuais, gerenciar ferramentas e ciclo de execução. Conhecimento técnico em ferramentas e desenvolvimento assim como engenharia de software não eram sempre exigidos e tão pouco utilizados pela maioria dos profissionais da área.

Nosso ambiente mudou, evoluímos muito, e agora estamos inseridos em novos contextos de desenvolvimento com uma enorme diversidade de ferramentas, metodologias, linguagens e negócios cada vez mais complexos e dinâmicos.

A preocupação do time com a experiência do usuário tomou enormes proporções, colocando a qualidade como peça fundamental do ciclo de vida do produto e elevando o QA a um papel de destaque.

Mas esse movimento foi uma faca de dois gumes. Com maior visibilidade, o papel do Analista de Qualidade cresceu e abrange hoje muito mais atividades, demandando muito mais conhecimento, porém nem todos os estão preparados.

Mas calma lá! Existe um caminho

Hoje a realidade da qualidade de software é bastante diferente. Testes automatizados são uma obrigação; a virtualização de serviços está aí para permitir os diversos tipos de testes; a necessidade de qualidade chegou ao mundo de IoT — Internet das Coisas; os testes devem atender às demandas de Mobile e Multiplataformas; e o mundo da Qualidade de Software está sendo fortemente impactado pela aterrisagem de Inteligência Artificial.

Além de conhecer todos esses conceitos e tecnologias, é importante e o perfil QA estar apto a interagir com:

  • documentação viva
  • fluxos de desenvolvimento
  • testes manuais e automatizados
  • testes de serviços
  • diversas plataformas de software (web, app, desktop, responsivo…)

O conhecimento das ferramentas (Jenkins, Chef, Docker, Cucumber, …) e metodologias (Scrum, ATDD, BDD…) que aceleram essas culturas é um grande diferencial, mas de que adianta saber manusear um martelo se você não sabe pra que serve um martelo?

De tudo o que já foi discutido, tem uma coisa que é básica e fundamental: a capacitação em linguagens de programação. As ferramentas de automação de testes são essenciais para a carreira desse profissional (“todo mundo coda”).

Conclusão

Diante de uma demanda crescente por Qualidade, o menor caminho está para aqueles que já atuam com teste da forma tradicional e para os desenvolvedores que desejam trabalhar com qualidade (SDET — Software Development Engineer in Tests), pois o primeiro já sabe o que o usuário quer, enquanto o segundo tem o expertise de programação.

O novo QA deve mirar sempre na *melhor experiência de uso* e para isso deve se ver como parte do universo de desenvolvimento de um produto buscando sempre a excelência técnica e a proximidade com o usuário.

 

POR Everson Alcantara, Especialista DevOps com foco em Qualidade